
Com o avanço da agrovoltaica — especialmente projetos que combinam geração solar com pastoreio de gado — cresce também a atenção para um tema de segurança muitas vezes subestimado: o risco de descargas atmosféricas (raios) para os animais. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Técnica de Ilmenau (Alemanha) avaliou esses riscos e propôs estratégias de mitigação específicas para ambientes agrovoltaicos, conforme reportado pela pv magazine Latin America.
Por que a agrovoltaica exige um olhar diferente
Segundo os pesquisadores, não se espera que os módulos fotovoltaicos aumentem a probabilidade de incidência de raios em comparação com um campo aberto. O ponto crítico é outro: as estruturas condutoras de montagem podem alterar a distribuição do potencial no solo durante uma descarga, criando tensões de passo e de toque perigosas em áreas que, em um campo aberto, poderiam permanecer menos afetadas.
E há uma diferença importante em relação às usinas tradicionais: durante tempestades elétricas, o acesso humano costuma ser restringido, mas o gado permanece no local, exigindo medidas de segurança direcionadas.
Como os animais podem se ferir
A pesquisa destaca que o gado é particularmente vulnerável por fatores como porte físico, postura e tendência a se agrupar — muitas vezes próximo de estruturas metálicas. Entre os principais mecanismos de lesão avaliados estão:
tensão de passo (diferença de potencial entre as patas),
tensão de contato (ao tocar estruturas condutoras),
descargas laterais, impactos diretos e efeitos de impactos próximos.
Os autores ressaltam ainda que faltam dados científicos padronizados sobre tolerância de animais a correntes impulsivas e tensões associadas a raios, o que torna a avaliação mais complexa — e reforça o caráter preventivo do estudo.
O que as simulações indicam: bordas e estruturas condutoras são as zonas mais críticas
No trabalho publicado na revista Electric Power System Research, o grupo simulou cenários representativos e avaliou projetos de aterramento para reduzir tensões perigosas em instalações agrovoltaicas. As conclusões chamam atenção para três pontos práticos:
Raios próximos às bordas do sistema agrovoltaico tendem a gerar maior elevação do potencial de terra e maiores áreas de risco;
As tensões de contato podem representar risco maior do que as tensões de passo, especialmente em solo seco e perto de elementos condutores como estruturas de montagem e cercas;
A resistividade do solo e a forma como cercas são aterradas/conectadas impactam fortemente a distribuição das tensões (solos de baixa resistividade tendem a reduzir tensões, enquanto cercas conectadas podem elevar riscos de contato em certos cenários).
Implicação para projetos: aterramento “padrão” pode não ser suficiente
Um recado direto do estudo é que sistemas de aterramento convencionais, pensados principalmente para segurança humana, podem não proteger adequadamente o gado em contextos agrovoltaicos. Por isso, os pesquisadores defendem a necessidade de práticas integradas de aterramento adaptadas para animais e, no futuro, normas específicas de segurança contra raios voltadas à pecuária.
A autora correspondente, Kamila Costa, também observou que medidas customizadas (como aterramento otimizado e soluções de isolamento local em zonas críticas) podem aumentar o custo do sistema de proteção contra raios, mas que, com um desenho técnico bem ajustado ao local, o impacto no LCOE tende a ser limitado.
Compromisso da Astronergy com a América Latina
A Astronergy acompanha de perto a evolução da agrovoltaica e das melhores práticas de segurança, porque entende que o crescimento sustentável da energia solar na América Latina depende de projetos bem dimensionados, confiáveis e adaptados às condições locais. Reforçamos nosso compromisso em atender clientes e parceiros na região com tecnologia, qualidade e suporte, sempre prontos para agregar ao desenvolvimento do mercado solar local com soluções responsáveis e de longo prazo.