
À medida que a energia solar ganha participação nas matrizes elétricas, uma pergunta se torna cada vez mais estratégica: como atender à demanda quando o sol se põe? Esse foi o tema central do artigo “Electricidad solar durante la noche”, publicado pela pv magazine Latin America e assinado pela Sociedad Internacional de Energía Solar (ISES).
Segundo o conteúdo, do ponto de vista da geração fotovoltaica, a “noite” equivale, em média, a 16 horas (mais longa no inverno e mais curta no verão). Isso exige armazenamento significativo e/ou fontes complementares para garantir energia firme e confiável.
O papel do armazenamento: baterias e hidrelétricas reversíveis
A pv magazine Latin America destaca que as tecnologias de armazenamento mais relevantes hoje são, de longe, a hidrelétrica reversível (bombeamento) e as baterias, tanto em termos de potência (GW) quanto de energia armazenada (GWh).
O artigo aponta que as baterias em escala utility, tipicamente com 2 a 4 horas, somadas a programas de incentivo para baterias residenciais, estão ganhando protagonismo e tendem a cobrir grande parte dos picos da manhã e do início da noite, reduzindo a volatilidade e moderando preços.
No entanto, para períodos mais longos, a necessidade cresce rapidamente:
16 horas para cobrir a noite entre dois dias ensolarados
40 horas para atravessar um dia nublado
160 horas para uma semana nublada e sem vento
Esse patamar, segundo a análise, está além do alcance das baterias atuais, mas dentro do alcance do armazenamento por bombeamento (hidrelétrica reversível).
Estratégias complementares para “solar à noite”
Além do armazenamento, o texto ressalta caminhos práticos que ajudam a fechar a conta:
Energia eólica, que frequentemente sopra mais à noite e, em alguns lugares, pode ter correlação inversa com a solar
Deslocamento de carga (load shifting), trazendo consumo do período noturno para horas de maior geração solar
Fontes despacháveis como hidro, geotérmica, bioeletricidade e nuclear (embora com presença limitada em muitos países)
Alta penetração renovável muda a operação — e o preço — da rede
O artigo também observa que o crescimento de solar (telhados e usinas) e eólica força mudanças profundas na operação do sistema elétrico. Usinas a carvão e gás passam a lidar com preços baixos ou até negativos durante o dia e precisam operar com mais flexibilidade, enquanto o curtailment (corte de geração solar/eólica) se torna frequente.
Como exemplo, a pv magazine Latin America cita o mercado elétrico australiano (NEM) e o estado da Austrália Meridional: no NEM, a geração média do carvão variou de 16 GW no pico da tarde para 10 GW ao redor do meio-dia, evidenciando o efeito da solar sobre o despacho tradicional. Já na Austrália Meridional, onde o carvão já saiu, a combinação solar+eólica caminha para atender 100% da demanda em média nos próximos anos, com o equilíbrio vindo de gás, baterias, intercâmbio entre estados e “sobreconstrução” com cortes frequentes.
Armazenamento de longa duração: custo, vida útil e escala
Ao comparar custos por duração, o artigo menciona estimativas de custos de capital (GenCost) e indica que, olhando para o futuro, há um ponto de cruzamento por volta de ~30 horas entre baterias e hidrelétrica reversível. Mas ressalta um fator decisivo: vida útil — cerca de 150 anos para bombeamento versus 20 anos para baterias — o que pode tornar o bombeamento ainda mais competitivo para durações noturnas e maiores.
O texto cita também o projeto Snowy 2.0 (Austrália), com 350 GWh de armazenamento e 160 horas de duração, previsto para 2028, como referência de escala e robustez para atravessar períodos prolongados de baixa geração renovável.
Compromisso da Astronergy com a América Latina
A Astronergy acompanha de perto essa evolução porque a expansão da energia solar na América Latina exige, cada vez mais, soluções integradas — não apenas em geração, mas também em confiabilidade, planejamento e suporte ao ecossistema local. Reforçamos nosso compromisso em atender clientes e parceiros na região com tecnologia, qualidade e proximidade, sempre prontos para agregar valor e apoiar o desenvolvimento sustentável do mercado solar local.