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Chile: matriz renovável já redefine o padrão operacional do sistema elétrico, alerta Acera
03-10 2026  105views

O Chile entrou definitivamente em uma nova fase do seu sistema elétrico: a transição energética deixou de ser “tendência” e passou a ditar o padrão operacional do dia a dia. Essa é a principal mensagem do Balance 2025 del sistema eléctrico apresentado pela Associação Chilena de Energía Renovable y Almacenamiento (Acera), conforme reportado pela pv magazine Latin America.

De acordo com o levantamento da Acera, em 2025 o Sistema Eléctrico Nacional (SEN) produziu 87 TWh, com 63,3% de participação renovável total. Dentro desse total, as ERNC (energias renováveis não convencionais, sem considerar grandes hidrelétricas) responderam por 42,4%. Somando renováveis e armazenamento, a participação chega a 65,6% — um retrato claro de como a matriz chilena já opera, majoritariamente, sob lógica renovável.

Quando o assunto é capacidade instalada, o parque elétrico alcançou 38.613 MW, e as ERNC já representam 19.233 MW (49,8%), confirmando uma mudança estrutural na composição do sistema. Entre as tecnologias, a solar fotovoltaica lidera com 11.717 MW, seguida pela eólica (5.971 MW) — que, pela primeira vez, supera o gás natural (4.865 MW) em capacidade instalada.

O novo desafio: integrar melhor a energia gerada

Com o crescimento acelerado das renováveis, o gargalo deixa de ser “instalar mais” e passa a ser integrar e transportar essa energia de forma eficiente. Um dos indicadores mais emblemáticos dessa virada é o avanço dos vertimentos (curtailment): em 2025, a energia ERNC recortada acumulou 6.084 GWh, um aumento de 7,8% em relação a 2024. Segundo a Acera, sem esses recortes, a participação ERNC teria alcançado 49,4% no ano, e não 42,4%.

Na prática, isso sinaliza que o problema central já não é a falta de geração — e sim a congestão estrutural na transmissão e a sobreoferta diurna (quando a solar entrega volumes muito altos em determinadas horas). É a “dor do sucesso” de um sistema com alta penetração renovável.

Transmissão e flexibilidade entram no centro da agenda

O relatório também destaca que, pela primeira vez, foi ativado o processo de Obras Necessárias e Urgentes (ONyU), com 10 projetos (6 novas obras e 4 ampliações), somando US$ 86,4 milhões, para reforçar segurança e abastecimento no curto prazo.

Paralelamente, o armazenamento se consolida como habilitador essencial do novo sistema. Em dezembro de 2025, havia 575 MW em operação, 737 MW em testes e 770 MW em construção. A projeção mencionada pela associação aponta que, até 2027, o país pode chegar a até 9 GW operativos, com duração média de 4,3 horas e predominância de soluções híbridas — reforçando que o storage não será apenas “arbitragem”, mas também suporte operacional e entrega de flexibilidade ao sistema.

Demanda e resiliência: a outra metade da equação

Outro ponto relevante do balanço é o comportamento do consumo: a demanda elétrica cresceu apenas 0,4% em 2025, enquanto a eletrificação representa cerca de 23% do consumo energético total. Para a Acera, acelerar novos usos elétricos é parte do caminho para capturar todo o valor da matriz renovável e reduzir dependência de fósseis.

Além disso, a resiliência ganhou protagonismo após o apagão mencionado no relatório (o “25F”), colocando continuidade operacional, coordenação e protocolos adequados a uma matriz altamente renovável como prioridades. O recado é direto: a transformação já ocorreu; agora o desafio é operacional e regulatório, com transmissão, armazenamento, gestão de demanda e atributos de flexibilidade como condições estruturais do desempenho do sistema chileno.

Compromisso Astronergy com a América Latina

A Astronergy acompanha de perto essa evolução do mercado chileno — e de toda a América Latina — porque entende que a nova era da energia solar exige não apenas capacidade instalada, mas também qualidade, confiabilidade e soluções alinhadas às necessidades locais. Reforçamos nosso compromisso em atender clientes e parceiros na região com tecnologia, suporte e proximidade, sempre prontos para agregar valor e impulsionar o desenvolvimento sustentável do mercado solar local.