
A Argentina encerrou 2025 com um marco importante para sua transição energética. Segundo a Review Energy, com base no Informe Anual 2025 do Mercado Elétrico Atacadista publicado pela CAMMESA, as energias renováveis alcançaram 26.663 GWh de geração no ano, cobrindo 18,9% da demanda elétrica nacional e registrando crescimento interanual de 16,6%.
O resultado confirma uma trajetória de expansão consistente das fontes limpas no país. De acordo com a própria CAMMESA, o Informe Anual do Mercado Elétrico Atacadista reúne as principais variáveis físicas e econômicas do setor, incluindo demanda, oferta, consumo de combustíveis, geração e evolução histórica do mercado elétrico argentino.
A Review Energy destaca que a demanda elétrica nacional da Argentina chegou a 141.252 GWh em 2025, alta de 0,7% em relação a 2024, enquanto a geração total atingiu 147.096 GWh, com crescimento de 0,2%. Dentro desse contexto, as renováveis foram a fonte com maior expansão relativa no ano, enquanto a geração hidrelétrica recuou 9,8%, a geração térmica permaneceu praticamente estável e a nuclear cresceu 3%.
Esse avanço foi impulsionado principalmente pela energia eólica e pela solar fotovoltaica. Segundo a Review Energy, a energia eólica respondeu por cerca de 70% da geração renovável total em 2025, enquanto a energia solar representou aproximadamente 19%. Essa combinação mostra a complementaridade entre diferentes fontes renováveis e reforça o potencial da Argentina para ampliar sua matriz limpa a partir de recursos naturais abundantes.
O crescimento da solar fotovoltaica merece atenção especial. De acordo com o Portal Solar, com base no informe anual da CAMMESA, a geração solar na Argentina cresceu 29,5% em 2025, alcançando 5.106 GWh. O mesmo levantamento indica que a capacidade instalada chegou a 2.464 MW em solar fotovoltaica, com mais de 6 milhões de painéis em operação no país.
A expansão também se refletiu em novos indicadores operacionais. Segundo a EconoJournal, o parque renovável argentino incorporou 1.010 MW de nova potência em 2025, principalmente em fontes eólica e solar. A publicação também destaca que, em dezembro, as renováveis chegaram a cobrir 19,6% da demanda elétrica mensal, com picos de penetração de 44,3% ao longo do ano.
Esse desempenho aproxima a Argentina da meta estabelecida pela Lei 27.191, que previa que 20% da demanda elétrica fosse atendida por fontes renováveis. O Portal Solar observa que, embora o país tenha chegado muito perto desse patamar, o avanço das renováveis ainda convive com desafios estruturais, especialmente relacionados à infraestrutura de transmissão em alta tensão.
Esse ponto é decisivo para a próxima etapa do setor. A EconoJournal informa que, durante 2025, foram registradas reduções de despacho renovável associadas a limitações na rede de transporte, especialmente em corredores das regiões da Patagônia e de Cuyo. Em outras palavras, parte da energia que poderia ser gerada não conseguiu ser integralmente escoada por restrições do sistema elétrico.
Para o mercado solar latino-americano, o caso argentino traz uma mensagem clara: o crescimento das renováveis depende não apenas da instalação de novos projetos, mas também de infraestrutura, planejamento, estabilidade regulatória e capacidade de integração ao sistema elétrico. À medida que a energia solar ganha escala, o setor precisa avançar em transmissão, armazenamento, digitalização e modelos de operação capazes de garantir maior flexibilidade e segurança.
A Argentina reúne condições naturais importantes para esse avanço, especialmente em regiões como Cuyo e o Noroeste Argentino, onde a irradiação solar favorece projetos fotovoltaicos de alto desempenho. Segundo a Shale24, essas regiões concentram grande parte dos parques solares do país e têm se beneficiado de projetos com maior sofisticação tecnológica, incluindo rastreadores solares e sistemas de monitoramento.
Nesse contexto, tecnologias fotovoltaicas de alta eficiência e confiabilidade se tornam essenciais para maximizar o aproveitamento dos recursos solares e aumentar a competitividade dos projetos. A evolução do mercado argentino mostra que a energia solar deixou de ocupar um papel marginal e passou a compor uma parte cada vez mais relevante da matriz elétrica do país.
O recorde de 2025 reforça que a transição energética argentina já está em movimento. O próximo desafio será transformar esse crescimento em uma trajetória sustentável de longo prazo, combinando novos investimentos em geração limpa com expansão da rede, previsibilidade regulatória e soluções tecnológicas capazes de entregar energia renovável com segurança, eficiência e valor para todo o sistema elétrico.
Fontes consultadas: Review Energy; CAMMESA; EconoJournal; Portal Solar Argentina; Shale24.