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Solar flutuante: os desafios de instalar módulos sobre a água
09-09 2026  129views

A energia solar flutuante deixou de ser uma aplicação de nicho. À medida que os projetos avançam de reservatórios protegidos para ambientes costeiros e offshore, os requisitos técnicos da indústria tornam-se cada vez mais sofisticados.

Refletindo essa evolução, em maio de 2026 a DNV publicou dois padrões dedicados à energia solar flutuante — DNV-ST-C108 e DNV-ST-E309 — com diretrizes para o projeto, a operação e a confiabilidade de longo prazo de empreendimentos fotovoltaicos flutuantes.

A publicação de normas específicas demonstra que a energia solar flutuante está amadurecendo, deixando de ser um conceito emergente para se tornar um segmento em rápida expansão no mercado solar global.

“Solar flutuante” é um termo utilizado pela indústria para uma categoria mais ampla de sistemas fotovoltaicos instalados sobre a água, que inclui desde estruturas com flutuadores e pontões até sistemas suspensos por cabos sobre viveiros de peixes e instalações sobre estacas em áreas de maré.

O que une essas soluções não é o método de instalação, mas o ambiente — e os desafios de engenharia necessários para garantir seu desempenho e durabilidade.

A água ajuda a resfriar os módulos. Superfícies abertas também reduzem problemas de sombreamento. Combinados, esses fatores podem aumentar a geração anual de energia em 5% a 10% em comparação com instalações equivalentes em solo.

Modelos de uso combinado, como projetos híbridos de piscicultura e geração solar, também permitem criar novas fontes de receita sem ocupar áreas terrestres adicionais.

Mas operar sobre a água tem seus desafios: a água causa corrosão, está em constante movimento e, quando surge algum problema, o acesso para manutenção é muito mais complexo.

A experiência acumulada em projetos solares flutuantes ao redor do mundo mostra que uma alta eficiência medida em laboratório é apenas o ponto de partida.

O sucesso de longo prazo sobre a água depende da capacidade do módulo de manter um desempenho confiável sob exposição contínua à umidade, corrosão, cargas de vento e outros estresses ambientais específicos de ambientes aquáticos.

Umidade e sal: como a água afeta os módulos e como o vidro com dupla camada de revestimento oferece proteção


O vapor de água pode penetrar encapsulantes e backsheets convencionais, acelerando processos de degradação e provocando correntes de fuga ao longo dos anos.

Em regiões costeiras, a névoa salina intensifica esse processo, criando um ambiente eletroquímico altamente agressivo. Estruturas de alumínio podem sofrer corrosão, as vedações das caixas de junção podem ser comprometidas e até mesmo a superfície do vidro pode apresentar desgaste significativo.

Ser resistente à umidade e ser adequado para exposição marinha não são a mesma coisa.

Para enfrentar esse desafio, a construção em vidro duplo atua como uma barreira impermeável contra a entrada de umidade. A Astronergy, porém, leva essa proteção em ambientes marinhos um passo além, utilizando vidro estrutural com dupla camada de revestimento.

Esse revestimento em duas camadas proporciona múltiplos níveis de proteção às células solares, formando uma barreira superficial de alta densidade que oferece resistência ativa à névoa salina e à imersão em água do mar.

Os resultados são claros: enquanto vidros com uma única camada de revestimento frequentemente desenvolvem pontos visíveis de corrosão e apresentam perda de transmitância de luz em ambientes marinhos severos, o vidro com dupla camada de revestimento da Astronergy mantém sua integridade visual.

Em rigorosos testes de névoa salina, módulos equipados com essa tecnologia apresentaram uma degradação de potência de apenas 0,47% — aproximadamente 60% menor do que a observada em equivalentes com revestimento único.

Após testes estendidos de DH3000 (Damp Heat), TC600 (Thermal Cycling), UV e PID300 (Potential-Induced Degradation), a degradação total permaneceu abaixo de 3%.

Ventos, ondas e tufões: construindo uma estrutura que acompanha o movimento da água

Uma instalação em solo precisa lidar principalmente com forças estáticas, como a gravidade. Uma instalação flutuante, por outro lado, está sujeita a cargas dinâmicas contínuas — incluindo o movimento constante das ondas e a possibilidade de ocorrência de supertufões.

Ao longo de 30 anos, microvibrações podem se propagar pelas células e conectores. Falhas por fadiga não surgem de forma repentina ou previsível.

Para instalações próximas à costa e em áreas de maré, sistemas flexíveis de montagem sustentados por cabos oferecem uma alternativa capaz de evitar diretamente o impacto das ondas. São estruturas tensionadas de grande vão instaladas acima da água.

Nesses casos, a estrutura precisa lidar principalmente com cargas de vento e maré, em vez da ação direta das ondas.

No nível do módulo, a durabilidade continua sendo igualmente importante.

Frames de alumínio resistentes à corrosão, combinados com sistemas de fixação de alta resistência, ajudam os módulos a suportar exposição prolongada ao vento, névoa salina e cargas dinâmicas.

Esses projetos costumam ser validados por meio de testes em túnel de vento, ciclos de carga dinâmica e avaliações de resistência à corrosão, como os testes CASS (Copper-Accelerated Acetic Acid Salt Spray).

No nível do sistema, normas como a DNV-ST-E309 passam a estabelecer critérios específicos para o projeto dos sistemas de ancoragem. A indústria deixou de trabalhar com a expectativa de que uma estrutura “vai aguentar” e passou a exigir comprovação de que ela realmente irá resistir.

Manutenção onde não é possível caminhar: por que prevenir é melhor do que reparar

Em instalações terrestres, sujeira, poeira e resíduos de aves normalmente determinam a frequência de limpeza.

Sobre a água, algas e resíduos de sal podem criar pontos quentes — e simplesmente caminhar até o módulo para realizar a limpeza não é uma opção.

Uma falha na vedação da caixa de junção não representa apenas uma demanda de manutenção: pode se tornar um risco elétrico.

Além disso, cada intervenção exige acesso por embarcação e condições climáticas adequadas.

Por isso, investimentos em engenharia preventiva podem gerar um retorno especialmente importante ao longo de décadas de operação.

A prevenção começa no nível do módulo. Caixas de junção com classificação IP68 impedem a entrada de umidade, revestimentos autolimpantes no vidro reduzem a aderência de resíduos e ângulos de inclinação otimizados equilibram a geração de energia com a limpeza natural provocada pela chuva.

Quando a prevenção chega ao seu limite, entra em cena a capacidade comprovada de resistência — e fabricantes vêm desenvolvendo protocolos específicos de testes para demonstrá-la.

Um desses protocolos é o PIT (Pressure Immersion and Temperature), que submete os módulos a 500 ciclos de imersão em água do mar sob repetidas variações extremas de temperatura e pressão, simulando anos de exposição ao ambiente marinho sem intervenção humana.

Submetidos a essa sequência rigorosa, os módulos da Astronergy apresentaram degradação de apenas 0,33%.

Para validar ainda mais sua resistência, os módulos também suportaram impactos de granizo de 35 mm a 26 m/s e 2.000 ciclos de carga mecânica dinâmica (±1500 Pa), obtendo posteriormente a certificação PIT da UL Solutions, empresa independente de referência global em ciência da segurança.

Em projetos solares flutuantes, reduzir a necessidade de manutenção pode ser tão importante quanto maximizar a geração de energia.

A confiabilidade é, muitas vezes, o fator que determina o valor de um projeto no longo prazo.

Desempenho comprovado sobre a água


Na Baía de Xinghua, em Fujian, 75 MW de módulos da série ASTRO N — fornecidos como parte de uma instalação total de 100 MW — enfrentam diretamente as condições do ambiente marinho, incluindo névoa salina, ondas e radiação UV.

Em Taihan, Wenzhou, um dos maiores projetos híbridos de piscicultura e geração solar da Ásia utiliza 1,396 milhão de módulos, com geração aproximada de 650 GWh por ano. A instalação foi reconhecida pela China Central Television (CCTV) como a maior usina híbrida de piscicultura e energia solar da Ásia.

Já em Wenling, Zhejiang, foi adotada uma abordagem diferente: 185.000 módulos de vidro duplo foram instalados em conjunto com turbinas de geração maremotriz, marcando a primeira instalação da China a demonstrar que a geração solar e a energia das marés podem coexistir.

Esses projetos fazem parte de um portfólio crescente que abrange desde viveiros de peixes em áreas interiores até zonas de maré.

Esse histórico é respaldado pelo status Tier 1 da BloombergNEF da Astronergy, pelo reconhecimento como Kiwa PVEL TOP Performer por 10 vezes, com premiações em 2014, 2017–2018 e 2020–2026, e pela participação da empresa na elaboração do padrão chinês para sistemas fotovoltaicos offshore.

Para equipes de compras responsáveis pela avaliação de projetos sobre a água, construção em vidro duplo, encapsulantes adequados, estruturas classificadas para resistência a tufões e certificação PIT independente já deixaram de ser diferenciais opcionais e passaram a ser requisitos essenciais.

A água deixou de ser uma barreira

A energia solar flutuante deixou de ser um experimento.

Os padrões já existem. Os protocolos de teste já existem. Os projetos que comprovam sua viabilidade também.

Para desenvolvedores que avaliam áreas cobertas por água, a pergunta deixou de ser “os módulos conseguem sobreviver nesse ambiente?” e passou a ser “quais módulos já provaram que conseguem?”.

A série ASTRO N da Astronergy — com construção em vidro duplo, opções de frames validadas para ambientes marinhos e certificação PIT por terceiros — está entre as plataformas de módulos que já responderam a essa pergunta em projetos híbridos de piscicultura e energia solar, instalações em áreas de maré e aplicações offshore.

Para EPCs e desenvolvedores que planejam projetos fotovoltaicos sobre a água, esse histórico comprovado é o ponto de partida para uma análise técnica criteriosa.