
O México apresentou um novo plano de expansão elétrica que pode reposicionar o país entre os mercados mais relevantes para energia renovável na América Latina nos próximos anos. Segundo a pv magazine, o governo mexicano pretende adicionar 32 GW de nova capacidade de geração elétrica até 2030, com cerca de 70% desse volume vindo de fontes renováveis. O investimento estimado é de aproximadamente US$ 42 bilhões.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para ampliar a participação das fontes limpas na matriz elétrica, reduzir o consumo de combustíveis fósseis e diminuir a dependência de importações de gás natural. Dentro desse plano, a meta do governo mexicano é alcançar 38% de geração elétrica renovável até 2030.
Nesse cenário, a energia solar fotovoltaica aparece como uma das principais protagonistas. De acordo com a PV Tech, dos 22 GW renováveis previstos, cerca de 12 GW devem vir da energia solar. A expectativa é que a geração fotovoltaica no país cresça de forma expressiva nos próximos anos, impulsionada por novos projetos de grande escala, mecanismos de investimento misto e maior participação privada.
Entre os projetos destacados está a usina fotovoltaica Rafael Galván Maldonado, localizada em Puerto Peñasco, no estado de Sonora. O projeto já conta com fases em operação e, quando concluído, deve alcançar 1 GW de capacidade solar e 246 MW em armazenamento por baterias, consolidando-se como uma das maiores instalações solares das Américas.
Outro ponto relevante é a integração entre geração solar, armazenamento e novas aplicações, como hidrogênio verde. O projeto Oasis, em Baja California Sur, por exemplo, prevê uma planta solar de 72 MW combinada a 20 MW de armazenamento em baterias e produção de hidrogênio verde. Esse tipo de iniciativa reforça uma tendência cada vez mais presente no setor: a energia solar deixa de ser vista apenas como uma fonte complementar e passa a atuar como parte central de sistemas energéticos mais resilientes, flexíveis e descarbonizados.
O plano também sinaliza maior abertura para modelos de investimento mistos. Segundo a Secretaria de Energia do México, o Plano de Fortalecimento e Expansão do Sistema Elétrico Nacional 2025–2030 representa quase 740 bilhões de pesos mexicanos em investimentos e a incorporação de 32 GW adicionais de capacidade de geração elétrica. O El País também destacou que o governo busca acelerar projetos renováveis e de armazenamento, inclusive com mecanismos para simplificar trâmites e atrair capital privado.
Para o setor solar latino-americano, o movimento mexicano é especialmente relevante. A região vive um momento em que segurança energética, competitividade industrial, eletrificação e metas climáticas caminham juntas. Países com alto potencial de irradiação solar, demanda crescente por eletricidade e necessidade de modernização da infraestrutura energética têm diante de si uma oportunidade estratégica: transformar recursos naturais abundantes em desenvolvimento econômico, estabilidade energética e redução de emissões.
Nesse contexto, tecnologias fotovoltaicas de alta eficiência, maior confiabilidade e melhor desempenho em diferentes condições climáticas serão fundamentais para viabilizar projetos cada vez mais robustos. A expansão da energia solar no México reforça uma tendência que já se observa em diversos mercados da América Latina: a transição energética dependerá não apenas de mais capacidade instalada, mas também de soluções capazes de entregar performance, durabilidade e valor ao longo de todo o ciclo de vida dos projetos.
O plano mexicano mostra que a energia solar segue ganhando espaço como eixo central da transformação energética regional. Mais do que uma fonte renovável, ela se consolida como uma plataforma para segurança energética, inovação tecnológica e crescimento sustentável.
Fontes: pv magazine Global; PV Tech; Secretaria de Energia do México; El País.