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A tecnologia bifacial está se tornando o padrão: onde ela entrega mais valor
07-01 2026  138views


1. A transição da indústria para os módulos bifaciais

Há alguns anos, ao comprar módulos solares, “bifacial” significava um produto premium, reservado para aplicações de nicho — como sistemas experimentais com trackers, terrenos nevados ou desertos com alto albedo. Avançando para os dias atuais, o cenário mudou completamente. Segundo um relatório recente da IRENA sobre a economia da energia solar firme, os módulos bifaciais agora representam uma parcela dominante dos embarques globais de módulos fotovoltaicos.

O que antes era uma escolha especializada hoje se tornou uma referência da indústria. Mas, se a tecnologia bifacial é o novo padrão, a pergunta relevante deixou de ser “devo optar por módulos bifaciais?” e passou a ser: como projetar seu projeto para maximizar o benefício financeiro?

2. A economia: por que os módulos bifaciais reduzem o LCOE


O principal fator por trás da revolução bifacial é simples: o prêmio de preço em relação aos módulos monofaciais praticamente desapareceu. Quando o Capex inicial é quase idêntico, a lógica econômica se torna cada vez mais convincente.

O ganho pela face traseira possui uma característica financeira única: ele adiciona geração de energia com custo adicional quase zero em balance of system (BOS). Você utiliza o mesmo terreno, a mesma estrutura, os mesmos cabos e a mesma mão de obra, mas produz mais quilowatts-hora. Ao longo de uma vida útil operacional de 30 anos, essa geração contínua pela face traseira dilui efetivamente os custos fixos de BOS de toda a usina solar, reduzindo o custo nivelado de energia (LCOE) do projeto ano após ano.

No entanto, nem todos os módulos bifaciais entregam o mesmo nível de desempenho pela face traseira. Os fatores de bifacialidade variam de aproximadamente 70% em algumas estruturas de células back-contact (BC) a 85% ou mais em designs avançados n-type TOPCon. Essa diferença de 10 a 15 pontos percentuais não é apenas teórica — em escala utility, cada ponto de bifacialidade se acumula em diferenças mensuráveis na geração anual de energia e no retorno do projeto ao longo de sua vida útil.

Por exemplo, o ASTRO N7 Pro da Astronergy alcança bifacialidade de 85±5%, graças ao PF (Poly Finger) para otimização da passivação da face traseira, linhas de grade mais finas para redes de coleta de corrente mais densas e design ZBB.

3. Onde o ganho pela face traseira tem maior impacto


O ganho bifacial não é um número fixo em uma ficha técnica — é o resultado do design do projeto. Quatro fatores de local e sistema são os que mais o ampliam:

3.1 Ambientes com alto albedo

O albedo — fração da luz solar refletida pelo solo — é o principal fator para o ganho pela face traseira. Quanto mais clara a superfície, mais irradiância chega à parte traseira do módulo. Areia de deserto, cascalho claro, cobertura de neve e concreto branco elevam naturalmente o albedo, direcionando o máximo de luz refletida para a face traseira do módulo.

Em instalações em desertos, pesquisas indicam que a contribuição da face traseira pode chegar a 8% a 12% da geração total de energia — um ganho que simplesmente não existe em módulos monofaciais instalados no mesmo terreno.

3.2 Trackers de eixo único

Trackers e módulos bifaciais formam uma combinação natural. Um sistema de inclinação fixa captura a irradiância traseira apenas dentro de uma faixa limitada de ângulos solares. Já um tracker de eixo único rotaciona o módulo ao longo do dia, expondo tanto a face frontal quanto a face traseira à luz ideal durante todo o arco diário do sol.

Esse alinhamento dinâmico é particularmente valioso em ambientes com alto albedo, onde a irradiância refletida pelo solo é abundante ao longo do dia. O tracker garante que a face traseira permaneça exposta a essa luz refletida por mais horas, ampliando a contribuição da geração pela face traseira em comparação com um arranjo bifacial de inclinação fixa.

3.3 Estruturas elevadas no solo

Considerando condições idênticas de albedo, uma maior distância em relação ao solo aumenta o ganho pela face traseira, permitindo que mais luz difusa e refletida alcance o módulo. Na prática, instalações utility-scale típicas em solo capturam significativamente mais irradiância traseira do que telhados residenciais com baixa elevação, pois se beneficiam de uma dupla vantagem: maior altura em relação ao solo e melhor refletividade da superfície.

3.4 Ângulos de inclinação otimizados

A regra convencional para arranjos monofaciais — “o ângulo de inclinação deve ser igual à latitude” — não se aplica aos sistemas bifaciais. Como o objetivo também é capturar a irradiância refletida pelo solo, os módulos bifaciais geralmente exigem inclinações mais acentuadas. Pesquisas recentes indicam que os ângulos ideais de inclinação bifacial são de 3° a 11° superiores aos equivalentes monofaciais. Projetistas acostumados às convenções dos sistemas monofaciais precisam ajustar suas premissas — um arranjo bifacial com inclinação muito baixa deixa energia mensurável sobre a mesa.

4. Conclusão

Você não precisa mais perguntar: “devo optar por bifacial?”. A verdadeira pergunta é: qual é o fator de bifacialidade do seu módulo e o seu local está projetado para capturá-lo?

Ao combinar módulos de alta bifacialidade, como o ASTRO N7 Pro, com terrenos de alto albedo, trackers de eixo único e um design inteligente do local, os desenvolvedores podem transformar a geração pela face traseira de um simples atributo técnico em uma vantagem duradoura de LCOE — uma vantagem que se acumula ao longo do período operacional típico de projetos de longo prazo.